Para entender melhor a visita do coordenador pedagógico à sala de aula e compreender os benefícios desta ação instituída, porém ainda muito controversa, compartilho um interessante artigo de Neurilene Martins, publicado no portal Nova Escola. Após o artigo, publiquei um vídeo muito bem elaborado da professora Marô Camargo, onde ela trata sobre as funções de um coordenador pedagógico, a partir da análise do trabalho da coordenadora Maria Inês Miqueleto, ganhadora do prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita. Confira!
O coordenador pedagógico ainda carrega o estigma de fiscal. Muitos acreditam que ele está pronto para autuar professores na sala de aula, só de olho em uma lista ampla de tópicos que o docente precisa garantir: pontualidade, cumprimento dos conteúdos, adequação das tarefas e tantos outros itens. Caso falhe em algo, lá está o fiscal, pronto para indicar seus erros. A realidade, no entanto, é bem diferente dessa, meus caros colegas. O coordenador pode ser um parceiro valioso para nós. Ao atuar em prol de melhorias nas condições didáticas e pedagógicas, ele se corresponsabiliza pela qualidade do trabalho em classe.
Gosto da metáfora da orquestra sinfônica, em que vários profissionais planejam e ensaiam muito para combinar sons e, com tarefas distintas, atuam em sintonia para produzir arte. A prática educativa dentro de uma instituição escolar também pode ser pensada assim.
Ninguém é professor sozinho. Essa é uma profissão que exige partilhas, troca de experiências, estudo, pesquisa e muita conversa para adequar o ensino ofertado às necessidades de aprendizagem das crianças e dos jovens. Para isso, fazer um trabalho regular na sala de aula não basta. É preciso integrar uma comunidade de educadores conscientes, comprometidos e alinhados com o projeto educativo da instituição.
A questão é que, muitas vezes, o docente se sente invadido com a presença do coordenador pedagógico. Isso acontece, sobretudo, porque é hegemônica a ideia de que o trabalho docente é uma atividade privada e de que o bom professor se basta. Precisamos romper com a ideia de “carreira solo”. Você não está sozinho! E isso é bom.
O primeiro passo é o professor procurar um lugar mais confortável na relação com o coordenador. Não se pode simplesmente dizer “não aceito que ele faça a supervisão do meu trabalho, olhe o meu planejamento e entre na minha sala”, porque essas são práticas profissionais e instituídas. É necessário ter clareza de que ambos possuem responsabilidades com a prática educativa, cada qual com suas funções– que precisam estar articuladas.
Nesse sentido, estabelecer combinados sobre o funcionamento dessa parceria pode ampliar a confiança e a cumplicidade. Dialogar com o coordenador e trazer sugestões sobre como a observação na sala de aula pode ser combinada previamente ou estabelecer um cronograma para a entrega de planejamentos e recebimento de devolutivas, por exemplo, são caminhos possíveis para desenvolver uma relação e um trabalho produtivo.
Em sessões de observação de sala de aula, a dica é garantir as condições para que o coordenador conheça previamente o planejamento. Conte o que você pretende fazer. Dessa maneira, ele tem tempo para dar a você as ajudas e sugestões necessárias para qualificar a proposta. Converse sobre as hipóteses didáticas que elaborou, bem como sobre as dúvidas e dificuldades que encontra em sala, tendo em vista as características da turma.
A atuação do coordenador pedagógico também não pode ser solitária. Ele precisa conhecer o trabalho de cada um e ter as dicas da equipe para ajustar o programa de formação da escola e, assim, dinamizar processos pedagógicos institucionais.
Referências:
MARTINS, Neurilene. Deixe de Ver o Coodenador Pedagógico como um Fiscal. Você só tem a ganhar! Portal Nova Escola. Março de 2018. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/435/deixe-de-ver-o-coordenador-pedagogico-como-um-fiscal-voce-so-tem-a-ganhar. Acesso em: 17/04/2018.
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